Monday, December 04, 2006

«The Black Parade», My Chemical Romance

Pontas-de-lança de um rock muito em voga por estes dias em terras do Tio Sam, os My Chemical Romance têm gerado quase tantos ódios como amores. «The Black Parade», terceiro de originais, prova, citando o provérbio, que nem tanto à terra nem tanto ao mar.
Os norte-americanos My Chemical Romance são praticantes de um rock com vistas largas em termos de definições: tanto tocam no emo como no momento seguinte estão na mais pura pop para desembocar, posteriormente, em pomposos arranjos orquestrais.
«The Black Parade», disco conceptual, pretende assumir-se como o álbum da maioridade da banda de Gerard Way. Agrupa guitarras, sensibilidade, emoções, energia, num registo auspicioso mas algo perdido por entre tamanha imensidão de recursos.
Liza Minelli é improvável convidada (em «Mama») num registo que consolida os My Chemical Romance como um dos mais fortes nomes do actual rock mainstream norte-americano. Com uma nova imagem, a banda enfatiza a sua componente teatral e visual não deixando, no entanto, de conceber algumas boas canções.
A parada negra dos My Chemical Romance vai garantir os mesmos amores e ódios de outrora: os fãs continuarão seduzidos pela energia punk acoplada à pomposidade de uns Queen enquanto que os detractores permanecerão fiéis nas críticas ao suposto vazio musical do colectivo. Efeito directo de um disco que, longe de perfeito, apresenta uma banda com imensa ambição. Mas sem nunca ultrapassar a ténue linha que separa ambição de pretensiosismo.

(Disco Digital 2006.12.04)

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